Eduardo Mesquita

Nem toda piada tem graça: A comunicação que liberta vs. A risada que oprime

Eu sou de 1970. Cresci assistindo aos Trapalhões e dando risada de quase tudo o que era dito. Mas, com o tempo e com a maturidade, precisei virar uma chave: se a risada causa dor ou incômodo em alguém, ela não tem graça. É apenas desrespeito fantasiado de humor.

Muitas vezes, ouvimos que “o mundo está muito fresco” ou que tudo é “mimimi”. Mas, como mentor de comunicação, preciso te dizer: o mundo não está mais chato; ele está mais plural. Pessoas que antes passavam a vida rindo sem graça de ofensas contra sua cor, gênero ou orientação sexual, entenderam que merecem o mesmo respeito que qualquer outro ser vivente.

O Mito do “Era Normal”

Muitos sentem saudade de um tempo em que as minorias não podiam reclamar. Eu prefiro lamentar que tenhamos vivido um tempo assim.

O Mussum e toda a comunidade negra aceitavam as piadas racistas porque, naquela época, não se viam no direito de protestar. As mulheres riam de piadas machistas porque o ambiente as coagia a isso. Mas se doía em alguém, não podia estar certo. O silêncio do passado não era concordância; era falta de voz.

Do que você ri quando ninguém está olhando?

Recebi, tempos atrás, uma “piada” que esculachava funcionários, gestores e prestadores de serviço. O texto era tão carregado de amargura que meu primeiro pensamento foi: “Quem escreveu isso deve ter uma vida profissional doente”.

A comunicação é o espelho do que carregamos no peito. Se o seu humor precisa diminuir o outro para existir, você não está fazendo graça, está exercendo poder de forma opressora.

O Riso que Liberta

Dá para rir sem pisar em ninguém. Veja os vídeos do Whindersson Nunes falando da infância dele — eu rolo de rir porque ele está falando da infância dele (que foi parecida com a minha). Esse riso não é opressor; ele é libertador. Ele gera conexão, calor no peito e saudade, sem causar dano a ninguém.

O Desafio da Mudança: Responsabilidade e Respeito

Um dos meus propósitos como pai é ensinar que toda forma de vida merece respeito. Se eu ensino meus filhos a não matarem uma formiga na mesa, imagine o que lhes passo sobre a dignidade humana.

Na comunicação profissional, a regra é a mesma:

  • Desconfie do termo “mimimi”: Geralmente, ele é usado por quem está sentado em privilégios para menosprezar a dor alheia.

  • Calibre seu humor: O riso genuíno é aquele que integra, não o que exclui.

  • Assuma a responsabilidade: Seus atos e suas palavras têm impacto. Escolha causar impacto positivo.


Comunicação com Propósito e Respeito

Se você quer deixar de ser “bom, mas invisível”, o primeiro passo é entender que a sua voz tem poder. E esse poder deve ser usado para construir pontes, não muros.

Eu ajudo líderes e profissionais a encontrarem sua voz autêntica — aquela que é firme, clara e, acima de tudo, humana.

[Clique aqui para falar comigo no WhatsApp] — Vamos ajustar a sua comunicação para o mundo real.

Falei? Falei!

Há braços,

Eduardo Mesquita
Psicólogo e Mentor de Oratória & Posicionamento.

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